terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ação do governo na CPI não é isolada, afirma Sérgio Guerra

O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) disse nesta terça que a ação do governo Lula para impedir a investigação de irregularidades na Petrobras faz parte de uma "orquestração" da qual pertencem as investidas contra a independência do TCU (Tribunal de Contas da União).

"O que aconteceu na CPI não é um caso isolado. É uma estratégia do governo para frustrar qualquer controle sobre ele. Vocês vão ver o tamanho das irregularidades no conflito da Petrobras com o TCU. E aí começa uma campanha de desmoralização do TCU. Se tirar o TCU do que ele faz hoje ninguem segura mais nada nesse país", lamentou o senador tucano.

O governo estuda anteprojeto de lei que limita a atuação do órgão. Caso seja aprovado no Congresso, o TCU perderá parte de suas atribuições fiscalizatórias.

Na opinião do senador, a última tentativa frustrada do governo em impedir algum revés foi na votação da CPMF que impediu que o imposto fosse recriado. "Mas o que vem acontecendo são sinais. Houve o cerceamento da CPI e o ataque ao TCU. Agora haverá uma pressão muito grande no Congresso. Haverá a liberação de emendas dos parlamentares. Não vão votar o pré-sal sem antes liberar as emendas", disse Guerra.

"Tratoramento" foi sem precedentes, dizem senadores

Senadores da oposição que anunciaram hoje que estão deixando a CPI da Petrobras qualificaram de "tratoramento sem precedentes" a articulação feita pelo governo Lula para impedir as investigações.

"O Governo se superou. Desde o primeiro momento o presidente da República liderou o processo de abafa. O escândalo é descomunal, o rombo na Petrobras é de dimensões catastróficas", afirmou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).

Segundo o parlamentar tucano, o governo Lula tentou desmoralizar a CPI. "É um precedente perigoso que pode ser utilizado também pelos próximos governantes. A operação para impedir de forma sistemática qualquer trabalho desmoraliza um instituto, empobrece o legislativo", disse o senador.

De acordo com o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), a oposição nunca quis "atrapalhar a vida da Petrobras". "Primeiro por se tratar da Petrobras. Segundo porque atrapalharíamos a vida de milhares de acionistas e terceiro porque a oposição não teria tamanho para defender-se no caso de publicamente nos acusarem de estar prejudicando seus negócios, negócios considerados brasileiros", disse o senador pernambucano.

Guerra citou o poder da Petrobras. "Vejam o tamnho da propaganda da Petrobras. Nos ultimos três meses enquanto estes três brasileiros aqui (referindo-se aos senadores da oposição) tentávamos investigar algo a companhia gastou verdadeiras fortunas com propaganda", comentou.

Representações são a primeira parte de relatório paralelo da CPI

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou nesta terça que as 18 representações que a oposição vai protocolar esta semana junto à Procuradoria Geral da República são a primeira parte do que classificou como o "relatório final paralelo e antecipado" da CPI da Petrobras.

"São denúncias graves. Mas há outras que se juntarão a essas. Há também a possibilidade de ações populares integrarem-se às representações. Trata-se da primeira parte do relatório paralelo feito pela oposição na CPI", disse o senador.

Dias, Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Antônio Carlos Jr. (DEM-BA) anunciaram nesta terça que estão deixando a comissão. O anúncio foi feito durante entrevista coletiva no Senado. Para eles, o presidente Lula liderou processo para impedir as investigações.

Na opinião dos senadores, um dos casos mais graves relatados na CPI e que consta das representações a serem protocoladas esta semana é o da refinaria Abreu e Lima. "O superfaturamento pode chegar a US$ 2 bilhões. O preço da obra é comparável ao das maiores obras já realizadas no mundo. Não são migalhas", disse o senador.

A obra está avaliada em US$ 12 bilhões, US$ 8 bi acima da previsão inicial.

Oposição protocola amanhã na PGR representações contra a Petrobras

A oposição protocola amanhã (11) na Procuradoria Geral da República (PGR) 18 representações que apontam irregularidades cometidas pela atual administração da Petrobras e algumas de suas subsidiárias. As denúncias, que foram colhidas pela CPI criada para investigar a empresa, fazem parte do relatório final paralelo que a oposição prepara para apresentar. Os senadores da oposição na Comissão são o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), Álvaro Dias (PSDB-PR) e Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA).

Leia aqui as representações

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Senadores vão denunciar na terça a "farsa" montada pelo governo na CPI

Senadores da oposição vão denunciar nesta terça (10) a farsa em que se transformou a CPI da Petrobras. Para os parlamentares do PSDB e do DEM, o governo a transformou em palco para narrativas técnicas, conceituais, passando ao largo das denúncias.

De acordo com o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a estratégia que proibe a investigação desmoraliza o instituto da Comissão Parlamentar de Inquérito e afronta o direito da minoria.

"Não vamos compactuar com essa encenação e falsidade. O PSDB e o DEM assinarão representações, que encaminharemos ao Ministério Público, para a instauração dos procedimentos que ensejarão a investigação judiciária necessária. Essa foi a alternativa que anunciei antes mesmo da instalação da comissão prevendo a possibilidade do abafa", disse o senador.

Amanhã também está previsto o comparecimento à CPI do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

Gabrielli vai ao Congresso explicar superfaturamento em refinaria

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional aprovou requerimento que convoca para depor na segunda quinzena deste mês o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. A data ainda não foi marcada mas a presença dele na Comissão foi confirmada pela própria companhia.

O executivo da mais importante estatal do país foi convocado para explicar as irregularidades encontradas por auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) nas obras da refinaria Abreu e Lima que a Petrobras constrói no município de Ipojuca (PE) em parceira com a venezuelana PDVSA. O TCU já recomendou a paralisação das obras.

A refinaria Abreu e Lima é uma das maiores obras do governo Lula. O seu custo passou dos iniciais R$ 8 bilhões e pode chegar além dos atualmente previstos R$ 24 bilhões. O TCU apurou superfaturamento de R$ 96 milhões nas obras de terraplanagem e sobrepreço de R$ 121 milhões.

Nesta terça (10), o presidente da Petrobras depõe na CPI da Petrobras em sessão com início previsto para às 14h30.

sábado, 7 de novembro de 2009

Brasil esqueceu combustíveis 'verdes' após descobrir pré-sal, diz FHC

'Estamos a ponto de esquecer o etanol de cana', disse ex-presidente.
Conferência elaborou documento que será apresentado em Copenhague.

Ligia Guimarães
Do G1, em São Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou neste sábado (7) a ausência de debate sobre questões ambientais entre as discussões em torno das regras para a exploração do petróleo do pré-sal. Segundo FHC, o foco na pesquisa e no uso de combustíveis "verdes" como o etanol e o biodiesel foi abandonado no Brasil diante da descoberta das reservas de petróleo.

"Nós levamos esses anos todos nos gabando que nós tínhamos energia verde. Esquecemos. O biodiesel hoje é alguma coisa arqueológica. Ninguém mais fala, sumiu. Nós estamos a ponto de esquecer o etanol de cana. Nem se aprofundou a discussão da compatibilidade com a produção agrícola da alimentação e da cana. Parece todo esse esforço do etanol agora é do pré-sal", afirmou.

FHC discursou em São Paulo durante o evento "Conferência de São Paulo", promovido pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso, pela CPFL Cultura e o Collegium internacional. Durante a conferência, foi divulgado um documento que será apresentado à ONU durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15), em dezembro.

"O nosso problema aqui [no Brasil] é tão grave que a maior discussão que está havendo aqui no Congresso Nacional diz respeito a como distribuir os frutos de um petróleo que não existe ainda. A questão substantiva, como é que nós vamos explorar esse petróleo, quais vão ser os cuidados que nós vamos ter que tomar para não ser destrutor do meio ambiente? Como é que nós vamos agir diante das outras tecnologias? Não tem nenhuma palavra, nenhuma discussão", afirmou.

Críticas ao governo Lula

No mesmo evento, FHC disse que não quer transformar em acusações pessoais as críticas que fez ao governo federal em artigo publicado no domingo (1º) nos principais jornais do país. "Não quero entrar nesse debate de baixo nível das questões", afirmou.

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